
Legenda: Cerca de 2,5 mil pessoas já foram afetadas pela chuva em Mirim Doce, o que representa quase toda a população da cidade
Fotos/crédito: Jandyr Nascimento
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Arrasada pelas chuvas, Mirim Doce está em situação de calamidade pública. No Centro da cidade, a água alcançou dois metros de altura, com a correnteza que se formou em menos de meia-hora, na madrugada de sábado (22). Os moradores são unânimes: nunca presenciaram algo similar antes. O domingo (23) foi dia de recuperar o que sobrou do comércio e das 193 residências atingidas.
Nos três mercados da cidade, funcionários resgatavam as poucas mercadorias intactas. Dos 38 estabelecimentos comerciais, somente a floricultura, uma loja de presentes e o salão de beleza não sofreram avarias. Outros 23 prédios públicos - como prefeitura, delegacia, agência dos Correios e posto de saúde - foram severamente atingidos. Somam-se 30 residências destruídas.
Em toda a cidade, 15 pessoas sofreram ferimentos graves. Os serviços de água, transporte e telefonia foram afetados. Na madrugada de ontem, as Centrais Elétricas do Estado de Santa Catarina (Celesc) restabeleceu a energia elétrica. O único acesso livre à cidade é por Pouso Redondo, pois na estrada que liga a Taió há barreiras. Na localidade de Serra Velha, mais de 60 famílias permaneciam isoladas ontem. A estrada geral que as conduz ao Centro apresenta mais de 10 pontos com barreiras e todas as pontes foram destruídas.
A prefeita Maria Luiza Liebsch (PMDB) foi a primeira do Estado a decretar situação de calamidade pública, recurso usado quando os impactos do desastre ultrapassam a capacidade de resposta do município.
Ontem à tarde, o helicóptero da Polícia Civil sobrevoou Mirim Doce com a prefeita Maria Luiza e integrantes da Defesa Civil do Estado para levantar a dimensão dos estragos. A perda mais significativa é econômica. Todas as localidades foram atingidas pela ascensão de seis metros do leito do Rio Taió, na madrugada de sábado. Além do Centro, localidades rurais como Serra Velha, Volta Grande e Pinhalzinho foram atingidas pelas correntezas.
Mirim Doce concentra 70% das atividades econômicas na pecuária e agricultura. Janeiro é o período de floração do arroz, etapa intermediária do ciclo de cultivo do principal produto do município. Aos que perderam tudo, a chance de recuperar será só em setembro, quando inicia a próxima safra.
A Polícia Militar Ambiental enviou ontem 35 agentes para auxiliar na recuperação de Mirim Doce. Municípios vizinhos ajudaram oferecendo serviços e maquinário para a limpeza das estradas. Na região, Rio do Campo e Taió algumas famílias também ficaram isoladas na área rural.


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